As mídias ocupam hoje o lugar que antes foi da religião, da escola e da família.
- Matheus Fernandes
- 20 de jan.
- 3 min de leitura

Por que aquilo que consumimos todos os dias educa mais do que imaginamos?
As mídias ocupam hoje um lugar que, durante séculos, pertenceu a outras instituições fundamentais da vida social: religião, escola e família.
Essa não é uma afirmação retórica.É uma constatação histórica.
Pela primeira vez, a principal fonte de referências simbólicas — valores, desejos, modelos de sucesso, medo, pertencimento e identidade — não vem da convivência direta, mas de sistemas mediáticos que operam em escala massiva e contínua.
Uma mudança recente (e profunda)
Os meios de comunicação de massa superaram o livro e a palavra falada como forma dominante de cultura muito recentemente na história da humanidade.
Durante a maior parte do tempo, aprendemos a viver:
observando adultos próximos,
ouvindo narrativas transmitidas oralmente,
participando de rituais sociais locais.
Hoje, grande parte da nossa aprendizagem simbólica acontece:
por imagens,
por narrativas audiovisuais,
por estímulos repetidos,
por algoritmos que selecionam o que aparece e o que desaparece.
Mudanças dessa escala não são neutras — e seus efeitos não surgem de uma vez. Eles se acumulam.

Mídia não é apenas entretenimento
Costumamos tratar mídia como distração, lazer ou passatempo. Mas, do ponto de vista psicológico e comunicacional, isso é muito mais.
A mídia:
ensina o que é desejável,
normaliza comportamentos,
molda expectativas,
organiza percepções de realidade.
Ela educa sem sala de aula.
Na Programação Neurolinguística, sabemos que o ser humano aprende padrões não apenas por instrução consciente, mas por modelagem, repetição e associação emocional.
É exatamente assim que grande parte da mídia opera.
Formação cultural contínua
Não desligamos esse processo ao sair do trabalho ou ao fechar um livro. Ele continua:
no feed que rolamos antes de dormir,
nas imagens que consumimos sem atenção plena,
nas narrativas que reforçam medos ou desejos,
nos modelos de sucesso que internalizamos sem questionar.
Mesmo quando não estamos conscientemente atentos, nossa mente está aprendendo.
Por isso, comunicação não é algo que “acontece de vez em quando”. Ela é um ambiente permanente.
A pergunta certa
A pergunta não é se a mídia educa.Isso já está acontecendo.
A pergunta real é:
o que ela está ensinando — e a serviço de quem?
Essa pergunta é central tanto para quem trabalha com comunicação quanto para quem trabalha com desenvolvimento humano e terapia.
Porque percepção molda comportamento.E comportamento repetido molda identidade.
O papel do olhar terapêutico
Na prática clínica, muitas angústias contemporâneas não surgem do nada. Elas estão ligadas a padrões de comparação, aceleração, idealização e inadequação que são aprendidos culturalmente.
Desenvolver consciência sobre esses processos não é rejeitar a mídia, nem demonizá-la. É retomar autoria sobre a própria percepção.
Em PNL, chamamos isso de ampliar o mapa — perceber que aquilo que sentimos e pensamos não é apenas “quem somos”, mas também o resultado dos estímulos que absorvemos diariamente.
Quando essa consciência surge, algo muda:
escolhas ficam mais nítida,
emoções ganham contexto,
respostas deixam de ser automáticas.
Em resumo
A mídia ocupa hoje um papel central na formação cultural.
Seus efeitos são contínuos, cumulativos e profundos.
Percepção nunca é neutra.
Tornar-se consciente disso é um passo essencial para autonomia emocional e cognitiva.
Não se trata de controlar tudo o que vemos. Mas de perceber o que está nos formando.
Quer aprofundar esse olhar?
Se você sente que muitos dos seus padrões emocionais, decisões ou conflitos internos parecem “automáticos demais”, talvez o ponto não seja força de vontade — mas consciência de processo.
Sou terapeuta em Programação Neurolinguística e trabalho com leitura de padrões, percepção e reorganização de respostas internas.
📩 Entre em contato para conversar ou agendar uma sessão: Escrito por: Matheus A. Sartori Fernandes, graduado em Comunicação Social, Pós graduado em Programação Neurolinguística (PNL)








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